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Energias renováveis entre Scania e Citrosuco podem expandir oferta de gás natural

01/11/2018 04h37 Atualizado em 02/11/2018 01h39
 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

Com o propósito de liderar o transporte sustentável, a Scania fará o teste do pesado de 410 cavalos de potência da Nova Geração da marca que pode ser abastecido com GNV (gás natural veicular) ou biometano, ou com a mistura de ambos os combustíveis, mas não utiliza diesel. O abastecimento do veículo ficará a cargo da Gás Brasiliano, que utilizará inicialmente apenas GNV.

A Citrosuco, uma das maiores empresas de suco de laranja do mundo, com capacidade para processar mais de 40% de todo o suco de laranja produzido e exportado pelo Brasil, ou mais de 20% da demanda global, iniciará os testes na primeira quinzena de dezembro  entre Matão, no interior de São Paulo, e o porto de Santos (SP), um trajeto de 380 quilômetros, para transporte de suco de laranja destinado à exportação. O período de análises levará um ano e cerca de 300 mil km serão rodados. Segundo Marcos Camillo, supervisor de Transporte e Designação da Citrosuco, a demonstração tem chances reais de unir dois temas fundamentais que são o ganho ambiental e financeiro. 

Em dezembro de 2017, a Citrosuco e a GasBrasiliano se uniram para o lançamento de um projeto que teve como objetivo diminuir a emissão de COe também reduzir custos no transporte do suco de laranja. A iniciativa contou com um caminhão Volvo Modelo FH 460, movido a gás natural veicular (GNV) e diesel, que circulou pela mesma rota entre Matão e o Porto de Santos.

Desta vez, os testes que serão realizados pela parceria entre Scania e Citrosuco não utilizarão diesel. A mesma tecnologia vem sendo testada há quatro anos em ônibus urbano da Scania. Desde 2014, a marca vem apresentando um modelo de ônibus urbano que utiliza um motor importado capaz de rodar com GNV e com biometano, emitindo 85% a menos de CO2 com biometano e 70% com GNV na comparação com o diesel. Segundo Celso Mendonça, gerente de Pré-Vendas da Scania no Brasil, a companhia espera obter números expressivos também nos caminhões. O caminhão foi importado pela Scania e terá autonomia para rodar 700 quilômetros a cada abastecimento de gás. O veículo deverá percorrer cerca de 25 mil quilômetros por mês, entre testes e demonstrações.

A TMS Logística, prestadora de serviços da Citrosuco é quem vai operar o caminhão movido a GNV/Biometano. Por meio dos serviços conectados, a Scania vai acompanhar o desempenho completo do veículo, sendo que um módulo instalado no caminhão enviará todas as informações das viagens para se obter o monitoramento detalhado da operação e acompanhamento da performance de cada motorista. A Citrosuco poderá analisar itens como consumo de combustível e freadas bruscas, além da condução mais eficiente e segura, e controle do desgaste desnecessário dos pneus.

O uso do gás natural para transporte está difundido no mundo há vários anos, inclusive em países vizinhos ao Brasil, como Argentina, Bolívia e Peru. Enquanto o GNV é proveniente do petróleo, uma fonte de energia não renovável, o biometano é considerado uma fonte renovável, produzida a partir de restos de matéria orgânica em aterros sanitários, estações de tratamento de e esgoto, usinas de cana-de-açúcar, entre outros locais. No entanto, a rede limitada de postos de abastecimento de GNV no país ainda é um fato que desestimula o mercado a adotar o combustível.

O Brasil tem cerca de 40 mil postos. Menos de 2.000 dispõem de GNV. Dos 1.800 postos que possuem GNV, metade está localizada nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A maior parte está em áreas urbanas, fora das rotas dos caminhões rodoviários. Sete estados (Acre, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) não têm nenhum posto GNV. A estratégia para expandir a oferta de gás natural pelo país é estimular seu uso pelas indústrias.

 
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